- 31 de agosto de 2026
A economia da saúde gera mais de US$ 50 bilhões anualmente na América Central
Em seu 46º aniversário, a Federação Centro-Americana e
Caribenha de Laboratórios Farmacêuticos (Fedefarma)
convoca cada país a analisar como o financiamento da saúde é concebido, uma vez
que os recursos destinados à saúde devem ser vistos não apenas como parte
essencial do orçamento público, mas também como um investimento estratégico
capaz de gerar valor econômico e social.
Lacuna no Investimento Público em Saúde
De acordo com dados recentes publicados no estudo WAIT
Indicator da FIFARMA e em pesquisa própria da Fedefarma, os países analisados —
Costa Rica, Guatemala, Panamá e
República Dominicana — ainda enfrentam uma lacuna
significativa no investimento público
em saúde.
Embora a OMS recomende um mínimo de 6% do PIB para
investimento público em saúde, e a OCDE recomende 6,5%, o Panamá investe 4,3%,
a Costa Rica 3,6%, a República Dominicana 2,9% e a Guatemala 2,5% (2026). Em
média, o investimento público em saúde na região da América Latina situa-se em
4,41% do PIB, dois pontos percentuais abaixo do valor recomendado, e os países
analisados ficam
abaixo dessa média.
De acordo com estudos da Fedefarmá, esse financiamento insuficiente se traduz em atenção primária inadequada, longas listas de espera e aumento dos custos diretos que as famílias devem arcar, caso tenham recursos.
“Uma população com maior acesso à prevenção, ao
diagnóstico e ao tratamento oportuno de doenças tem melhores condições para
estudar, trabalhar, produzir e contribuir para o desenvolvimento do seu país.
Por sua vez, o investimento em saúde gera emprego e impulsiona a atividade
produtiva, com um efeito que se estende para além do próprio sistema de saúde.
Daí o nosso apelo, da Fedefarma, neste seu 46º aniversário, que busca
contribuir para a sustentabilidade dos sistemas de saúde, otimizar a
distribuição de recursos e reduzir as lacunas entre o avanço de terapias
inovadoras e os tempos de espera dos pacientes”, comentou o
Diretor Executivo da Fedefarma, Fernando Vizquerra.
Efeito Multiplicador do Investimento em Saúde
O estudo “Panorama
da Economia da Saúde e Gestão Orçamentária na Costa Rica, Guatemala, Panamá e
República Dominicana”, da Fedefarma, do Instituto Wifor e da Sanigest
International, demonstra o impacto direto do investimento em saúde no
crescimento econômico, no emprego e no desenvolvimento educacional na América
Central e no Caribe, ao mesmo tempo que destaca desafios urgentes no
financiamento e na digitalização.
De acordo com a publicação (2023), o investimento em
saúde não deve mais ser concebido apenas como uma “despesa orçamentária”, mas
sim como um investimento estratégico que atua como motor de riqueza,
produtividade e emprego. Entre os principais benefícios analisados na cadeia de valor da Economia da Saúde estão:
Contribuição para a economia
O setor de Economia da Saúde nos países avaliados gera
uma pegada econômica agregada de mais de US$ 50 bilhões em Valor Adicionado
Bruto (VAB). Analisando a contribuição individual deste setor para o Produto
Interno Bruto (PIB) em 2021, os dados revelaram uma participação de 10,5% no
Panamá, 8% na Guatemala, 7,5% na República Dominicana e 7% na Costa Rica. Em
vários desses países, o peso econômico da saúde supera o de setores
tradicionais como turismo, agricultura, construção civil ou o setor financeiro.
Geração de Empregos Formais
Geração de empregos formais: O setor de saúde sustenta
uma pegada de trabalho de 2,2 milhões de empregos na região analisada. A
participação do setor de saúde no mercado de trabalho atingiu 10,7% na
República Dominicana (500.000 empregados), 10,1% na Costa Rica (220.000
empregados), 10% no Panamá (170.000 empregados) e 6,1% na Guatemala (380.000
empregados). Além disso, atua como um motor de mercado, gerando milhares de
empregos indiretos adicionais, incluindo 110.000 na República Dominicana,
90.000 na Guatemala, 80.000 na Costa Rica e 60.000 no Panamá.
Efeito Multiplicador do Investimento: Cada dólar
investido na Economia da Saúde gera um retorno sobre o investimento
(multiplicador secundário do VAB) na economia em geral de 1,2 na Costa Rica e
na Guatemala, 1,1 no Panamá e 0,8 na República Dominicana.
Impacto no Desenvolvimento Humano: Impacto abrangente
no desenvolvimento humano, renda e educação: Intervenções de saúde oportunas
têm o potencial de impactar a vida futura das pessoas em quatro áreas: renda,
produtividade, capital humano e expectativa de vida. A WIFOR estima que
intervenções de saúde no início da vida aumentam a renda em 46%.
Fonte: DiarioSalud