- 03 de agosto de 2026
AstraZeneca negocia megafusão farmacêutica de € 350 bilhões com a BMS
A farmacêutica britânica AstraZeneca está negociando
uma fusão com sua rival americana Bristol Myers Squibb, em um acordo que
criaria um dos maiores grupos farmacêuticos do mundo, avaliado em quase US$ 400
bilhões (cerca de € 350 bilhões), segundo diversos veículos de imprensa, como o
Financial Times e a Reuters.
De acordo com fontes próximas às negociações citadas
pelo jornal, as empresas vêm discutindo uma possível fusão nos últimos meses.
Essas negociações podem culminar em um acordo em breve, mas também podem ser
adiadas ou fracassar.
O acordo gerou dúvidas entre os investidores. As ações
da AstraZeneca caíram quase 5% após o meio-dia e acumulam queda de pouco mais
de 17% no último mês. Por outro lado, as ações da Bristol Myers Squibb subiram
quase 6% nas negociações pré-mercado em Wall Street. Desde o início do ano,
antes da sessão de segunda-feira, as ações da empresa farmacêutica americana
subiram 21%.
A AstraZeneca, a segunda empresa listada mais valiosa
do Reino Unido, tem uma capitalização de mercado de aproximadamente £ 196
bilhões (US$ 264 bilhões), enquanto a BMS é avaliada em aproximadamente US$ 133
bilhões.
Uma fusão entre as duas empresas constituiria um dos
maiores negócios farmacêuticos da história e tornaria a entidade resultante a
quarta maior empresa farmacêutica do mundo em capitalização de mercado.
Um acordo entre os dois grupos expandiria a presença
da empresa farmacêutica britânica no mercado americano, ao mesmo tempo que
intensificaria os temores britânicos de que as maiores empresas do Reino Unido
se retirem do país.
A Reuters informa que um possível acordo acarretaria
riscos regulatórios significativos devido à possível fiscalização pelas
autoridades antitruste dos EUA sob o governo do presidente Donald Trump. Trump
tem se concentrado em impulsionar o investimento doméstico no setor e expandir
a produção industrial nos EUA. “Espera-se que a Comissão Federal de Comércio
(FTC) de Trump examine a fusão minuciosamente e, caso haja sobreposições
significativas em certos medicamentos e estágios finais de desenvolvimento, desinvestimentos
substanciais serão necessários”, disse à Reuters Andre Barlow, advogado
especializado em direito antitruste do escritório DBM Law Group.
Embora a AstraZeneca tenha anunciado no ano passado
planos para listar suas ações diretamente nos Estados Unidos a fim de
capitalizar sobre as avaliações mais altas no mercado americano, tal acordo
significaria, na prática, que uma empresa sediada no Reino Unido estaria
adquirindo uma grande empresa farmacêutica americana.
Além disso, a AstraZeneca fechou um acordo de US$ 50
bilhões com o governo de Donald Trump para investir em instalações de produção
nos Estados Unidos e em centros de pesquisa transatlânticos.