- 15 de abril de 2026
Tomar Tylenol durante a gravidez não tem ligação com o autismo, revela novo estudo
Tomar paracetamol – conhecido nos EUA pela marca
Tylenol – durante a gravidez não tem efeito sobre diagnósticos posteriores de
autismo, de acordo com um novo e abrangente estudo da Dinamarca publicado na
segunda-feira.
O governo Trump apontou o uso de Tylenol na gravidez
como uma das principais causas de autismo em crianças, o que parece ter levado
a uma queda no número de gestantes que tomam o analgésico.
Por meio do robusto sistema nacional de saúde da
Dinamarca, os pesquisadores conseguiram rastrear mais de 1,5 milhão de crianças
nascidas entre 1997 e 2022 no registro nacional de saúde, incluindo 31.098
crianças que foram expostas ao Tylenol no útero.
O autismo foi diagnosticado em 1,8% das crianças que
foram expostas ao Tylenol e em 3% daquelas que não foram, de acordo com o
estudo, publicado no JAMA Pediatrics. Um estudo semelhante realizado na Suécia
em 2024 encontrou uma ligação marginal que desapareceu após levar em
consideração os irmãos, sugerindo que o autismo é fortemente genético, o que já
foi demonstrado em outros estudos.
Uma revisão de estudos existentes nos EUA, em 2025,
encontrou uma relação potencial, mas não ficou claro se fatores de confusão
estavam envolvidos. Por exemplo, se gestantes autistas tomam Tylenol com mais
frequência do que gestantes neurotípicas devido a níveis mais altos de dor.
Autoridades de saúde anunciaram em setembro de 2025
que a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA iniciaria uma mudança na bula
do paracetamol, alertando sobre uma possível ligação com o autismo. Trump
alertou diversas vezes contra o uso do analgésico durante a gravidez.
"Se você está grávida, não tome
Tylenol", disse Trump em uma coletiva de imprensa na
época. "Não tome Tylenol. Não deixe seu bebê tomar Tylenol."
Ele disse que o medicamento "não era bom" e que tomar Tylenol
durante a gravidez estava associado a "um risco muito maior de
autismo".
Trump acrescentou que, em alguns casos “medicamente
necessários”, o paracetamol ainda pode ser recomendado durante a gravidez.
“Isso ocorre, por exemplo, em casos de febre extremamente alta que você sente
que não consegue suportar”, disse ele.
O Tylenol é seguro para uso durante a gravidez e pode
desempenhar um papel fundamental no alívio da dor e na redução da febre. No
entanto, após o anúncio de setembro, os pedidos de Tylenol para gestantes em
salas de emergência caíram 16% no período inicial do estudo, de acordo com um
estudo da Lancet publicado no mês passado.
As “palavras das autoridades de saúde estão
afetando o comportamento”, disse Jeremy Faust, coautor desse estudo da
Lancet, médico de emergência no Mass General Brigham e pesquisador de serviços
de saúde na Harvard Medical School.