- 11 de fevereiro de 2026
Quebra de patente do Mounjaro e Zepbound avança na Câmara dos Deputados do Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou nesta
segunda-feira, dia 9, o requerimento de regime de urgência para analisar
o Projeto de Lei (PL) 68/2026, que pode levar à quebra de patente do
Mounjaro. O texto declara esse medicamentoe o Zepbound, que têm
como princípio ativo a tirzepatida e são fabricados pela Eli Lilly, como de
interesse público e pede o fim da exclusividade de ambos. As informações são da
Agência Brasil.
Estes são os principais pontos a destacar.
1. Avanço do projeto de quebra de patente
- A Câmara dos Deputados aprovou regime de urgência para o PL
68/2026, que pode levar à quebra da patente do Mounjaro e do Zepbound,
ambos à base de tirzepatida, fabricados pela Eli Lilly.
- O projeto declara os medicamentos como de interesse público e busca
encerrar a exclusividade da patente no Brasil.
- A urgência permite votação imediata, sem passar por comissões.
2.
Justificativa dos autores
- Os deputados afirmam que o alto preço dos medicamentos impede seu
uso em larga escala.
- Argumentam que nem o SUS consegue incorporá-los devido ao custo
elevado.
3.
Movimento paralelo no Senado
- O Senado analisa o PL 160/2026, que prevê licença compulsória
temporária da tirzepatida.
- A proposta permitiria produção nacional do medicamento, caso haja:
- oferta insuficiente,
- preços elevados,
- impacto relevante na saúde pública.
- A decisão dependeria de análise técnica da Anvisa.
4. Reações das entidades do setor
As principais associações farmacêuticas se
posicionaram contra as propostas:
Sindusfarma
- Diz que a urgência é inadequada e gera insegurança jurídica.
- Afirma que o Brasil já possui mecanismos para ampliar acesso sem
quebrar patentes.
Interfarma
- Considera a medida um instrumento extremo.
- Acredita que pode afastar investimentos e dificultar a chegada de
novos medicamentos.
- Ressalta que o Zepbound nem tem registro no Brasil.
PróGenéricos
- Defende equilíbrio entre inovação e concorrência.
- Lembra que a proteção patentária é temporária e essencial para
estimular pesquisa.
Grupo
FarmaBrasil
- Considera a iniciativa um equívoco que atrasa a inovação.
- Defende o uso do licenciamento compulsório apenas nos moldes já
previstos no TRIPS.
5.
Posição do Ministério da Saúde
- O ministro Alexandre Padilha afirma que o governo seguirá a OMS,
que não recomenda licenciamento compulsório para canetas emagrecedoras.
6.
Mercado de GLP-1 no Brasil
- A categoria domina o ranking dos 10 medicamentos mais vendidos em
2025.
- Mounjaro, Wegovy, Ozempic e Rybelsus movimentaram R$ 9,8 bilhões.
- O setor pode chegar a R$ 1 trilhão se o acesso aumentar.
7. Compra
ilegal no Paraguai
- Farmácias paraguaias vendem tirzepatida a preços mais baixos,
muitas vezes sem prescrição.
- Isso alimenta um mercado clandestino no Brasil, com consumidores
cruzando a fronteira para comprar em grande volume.