- 19 de março de 2026
IAB Suécia expulsa Meta por não fazer o suficiente para impedir anúncios fraudulentos
A filial sueca do Interactive Advertising Bureau (IAB)
decidiu suspender a filiação da Meta, considerando-a insuficiente para impedir
campanhas publicitárias enganosas. Estima-se que tais anúncios tenham absorvido
cerca de 136 bilhões de coroas suecas e que seis em cada dez cidadãos suecos
foram expostos a eles, principalmente pelo Facebook.
A expulsão da gigante das mídias sociais ocorreu após
uma reunião anterior, realizada em 10 de março, cujo resultado foi anulado
devido a um erro processual. Nessa votação, o conselho tentou manter a filiação
da Meta ao IAB Suécia sem um assento no conselho, mas, ao concluir que essa
condição não poderia ser imposta, uma nova reunião de emergência foi convocada.
Essa reunião culminou na exclusão da Meta no dia seguinte. O processo foi
iniciado pela Bonnier News e pela Schibsted, posteriormente acompanhadas pela
Aller Media. Esses grupos alegaram que a Meta não tomou medidas suficientes
contra a fraude publicitária em suas plataformas, uma afirmação consistente com
as conclusões de uma investigação da Reuters realizada no final de 2025. Essa
investigação revelou documentação na qual a empresa reconheceu internamente que
aproximadamente 10% de sua receita global naquele ano provinha de publicidade
ilegítima. Isso incluía anúncios vinculados a golpes e produtos proibidos, bem
como tentativas generalizadas de fraude. No total, estimou-se que os usuários
de suas plataformas enfrentaram cerca de 22 bilhões de tentativas de fraude
orgânica por dia a partir de dezembro de 2024. A organização estima que 136
bilhões de coroas suecas (aproximadamente US$ 175.000) em investimentos foram
perdidos devido à publicidade ilegítima e exige da empresa provas que
demonstrem seu compromisso em combatê-la. A Meta agora pode recorrer de sua
expulsão na assembleia geral anual da organização, agendada para 15 de abril.
Sua readmissão seria possível, desde que apresente "provas" de seu
compromisso em eliminar anúncios fraudulentos, de acordo com uma declaração de
Daniel Weilar, presidente da IAB Suécia.
IAB Suécia e o Valor de seus Membros
A IAB Suécia possui quase 300 empresas associadas,
unindo agências, anunciantes, editores e fornecedores de tecnologia. A expulsão
da Meta representa um caso sem precedentes de uma entidade do setor tomando
medidas disciplinares formais contra uma das maiores plataformas de publicidade
do mundo.
O contexto do mercado sueco é fundamental: a
publicidade programática atingiu 4,7 bilhões de coroas suecas em 2024. Nesse
ecossistema, a segurança da marca é primordial: os compradores programáticos
suecos classificam a importância de ambientes seguros em 4,7 de 5. A
certificação da IAB — justamente aquela que a Meta acaba de perder — tem uma
classificação de 3,3.
Pressão Regulatória Global
Essa expulsão não é um incidente isolado. A Meta
sofreu diversos reveses legais na Europa:
• Espanha: Um tribunal de Madri ordenou que a Meta
pagasse € 479 milhões a 87 veículos de mídia espanhóis até novembro de 2025 por
violações do GDPR.
• União Europeia: Em outubro de 2025, a Comissão
Europeia determinou que a Meta está em violação preliminar dos requisitos de
transparência do DSA (Acordo de Serviços Digitais), podendo ser multada em até
6% de sua receita global.
• Estados Unidos: Recentemente, um tribunal de São
Francisco emitiu uma sentença de US$ 50 milhões contra a Meta por compartilhar
dados de usuários com terceiros.
O que isso significa para a comunidade
publicitária?
Para o setor de marketing, essa expulsão é um evento
sísmico. A filiação ao IAB não é apenas simbólica; é um sinal de confiança na
cadeia de suprimentos programática. Perder essa certificação altera a percepção
do inventário da Meta dentro das estruturas de tomada de decisão dos
compradores.
A grande questão é se outros capítulos nacionais do
IAB seguirão o exemplo da Suécia. Especialistas do setor já apontam o IAB Reino
Unido como uma das organizações que podem sofrer pressão para tomar medidas
semelhantes. A Meta tem um mês para tentar reverter uma decisão que parece ter
sido tomada com uma determinação sem precedentes no setor.