- 10 de fevereiro de 2026
Europa exige ação urgente da Meta para impedir o bloqueio de assistentes de IA de terceiros no WhatsApp
A Comissão Europeia enviou hoje uma declaração de
objeções à Meta, alertando que a empresa liderada por Mark Zuckerberg pode
estar violando as regras de concorrência da União Europeia ao bloquear
assistentes de IA concorrentes em seu aplicativo principal, o WhatsApp.
A origem do conflito
Desde 15 de janeiro de 2016, a Meta implementou uma
nova política na API do WhatsApp Business que proíbe chatbots de IA de uso
geral desenvolvidos por terceiros. Essa medida afeta diretamente assistentes
populares como ChatGPT, Copilot e Luzia, permitindo apenas bots projetados
exclusivamente para atendimento ao cliente de empresas específicas.
Essa medida tornou a Meta AI a única assistente
disponível na plataforma, excluindo quaisquer outros concorrentes do
ecossistema. A Meta justificou essa restrição alegando que busca evitar a
sobrecarga de seus sistemas e preservar o foco original da plataforma. No
entanto, a medida foi interpretada como uma tentativa de eliminar a
concorrência e posicionar a Meta AI como a única assistente disponível no
WhatsApp.
De acordo com as conclusões preliminares da Comissão,
o WhatsApp tornou-se um "ponto de entrada importante" para que
assistentes de IA alcancem os consumidores. Ao fechar as portas a terceiros, a
Meta estaria abusando de sua posição dominante no mercado de aplicativos de
comunicação dentro do Espaço Econômico Europeu.
Como explica a Comissão em sua declaração, "Há
uma necessidade urgente de medidas de proteção devido ao risco de danos graves
e irreparáveis à concorrência. A conduta da Meta corre o risco
de criar barreiras à
entrada e à
expansão,
e de marginalizar irremediavelmente os concorrentes menores no mercado de
assistentes de IA de uso geral."
Dado o ritmo acelerado de mudanças no setor de IA,
Bruxelas não está disposta a esperar a conclusão de uma longa investigação.
Portanto, a Comissão pretende impor medidas provisórias para reverter essa
exclusão imediatamente: "Não podemos permitir que empresas de tecnologia
dominantes explorem ilegalmente sua posição para obter uma vantagem
injusta", afirmou Teresa Ribera, Vice-Presidente Executiva da Comissão.
"Os mercados de IA estão se desenvolvendo em ritmo acelerado, por isso
devemos agir rapidamente."
Precedentes de outros países
Essa decisão gerou uma resposta regulatória rápida,
com casos como os da Itália e do Brasil. Suas respectivas autoridades de defesa
da concorrência ordenaram a suspensão imediata da regulamentação,
considerando-a um abuso de posição dominante que prejudica a inovação e os
consumidores. Por ora, Brasil e Itália são os únicos territórios onde terceiros
podem continuar oferecendo seus serviços de IA, enquanto o resto do mundo
enfrenta as novas restrições da Meta.