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Quase 400 novos medicamentos em cinco anos: como o mapa global de medicamentos irá mudar
  • 31 de outubro de 2025

Quase 400 novos medicamentos em cinco anos: como o mapa global de medicamentos irá mudar

O relatório "Perspectivas Globais do Uso de Medicamentos até 2029" revela que o número de novas substâncias ativas continua a aumentar, com a oncologia e a neurologia na vanguarda.

Os principais países desenvolvidos possuem a infraestrutura básica para distribuir e dispensar esses medicamentos, visto que geralmente requerem armazenamento em cadeia fria, e apresentaram taxas semelhantes de participação no mercado de biológicos. A China, com 33%, ficou atrás dos principais países desenvolvidos, embora a diferença tenha diminuído em períodos mais recentes.

A disponibilidade de medicamentos biológicos terá um impacto significativo nos gastos totais com medicamentos em países com maior acesso.

Como a maioria dos medicamentos biológicos são produtos complexos e especializados, a disponibilidade desses medicamentos terá um impacto significativo nos gastos totais com medicamentos em países com maior acesso. Nesse sentido, embora muitos medicamentos biológicos sejam desenvolvidos por empresas multinacionais e só tenham sofrido a perda de exclusividade e a concorrência de biossimilares nos últimos 10 a 15 anos em mercados desenvolvidos, observa-se uma adoção significativa de medicamentos biológicos não originais em países de baixa renda. Esse padrão de comercialização e adoção de medicamentos biológicos não originais está expandindo o acesso a esses medicamentos para além dos mercados desenvolvidos e pode influenciar a aprovação e o lançamento de novos produtos nesses países.

 

Perspectivas Futuras para o Uso de Medicamentos

Em relação às perspectivas para o uso de medicamentos, o relatório destaca que ele se manteve relativamente estável desde 2021 e espera-se que cresça em média 0,8% ao ano até 2029. Com base em modelos de volumes de medicamentos dispensados ​​sob a premissa de doses diárias definidas, o uso de medicamentos aumentou em 434 bilhões de doses diárias definidas nos últimos cinco anos e espera-se que cresça em mais 154 bilhões nos próximos cinco anos. Esse crescimento mais lento provavelmente se deve às mudanças generalizadas decorrentes da pandemia de Covid-19.

Por região, o maior crescimento em volume nos próximos cinco anos é esperado na América Latina, com uma taxa de crescimento anual composta superior a 2%. No entanto, essa tendência deverá desacelerar consideravelmente, passando de uma média de 5% até 2024 para 2,2% até 2029, principalmente devido à desaceleração projetada do crescimento econômico.

Por outro lado, o menor crescimento em volume em regiões de renda mais alta, como América do Norte, Europa Ocidental e Japão, está ligado a sistemas de saúde mais robustos e maior acesso a medicamentos. Além disso, o índice para a Europa Oriental permanece praticamente inalterado, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) projetada de 0,5%, abaixo dos 1,8% registrados nos últimos cinco anos, período que incorporou alguns impactos regionais ou localizados do conflito na Ucrânia. Contudo, os autores alertam que "é importante interpretar essas tendências com cautela, visto que doenças crônicas exigem muitos dias de tratamento e seus medicamentos são frequentemente muito menos comuns em países de baixa renda".

O uso per capita de medicamentos varia de acordo com o PIB e, em geral, é maior em países de renda mais alta do que em países de renda mais baixa. Além disso, considerando os diferentes níveis de custos diretos com saúde suportados pelos pacientes em diversos países, existe alguma correlação com a forma como utilizam os medicamentos. A América do Norte, incluindo os Estados Unidos e o Canadá, apresenta o menor PIB per capita entre os mercados desenvolvidos, o que pode ser atribuído aos altos custos com saúde incorridos pelos pacientes nos EUA.

As áreas de imunologia, endocrinologia e oncologia superaram o crescimento médio global de 15% nos últimos cinco anos.

Outros fatores incluem a carga de doenças enfrentada pelos pacientes e a acessibilidade dos sistemas de saúde para ajudá-los a iniciar o uso de medicamentos para uma condição específica. Assim, a Europa Oriental apresenta um consumo de medicamentos per capita quase quatro vezes maior que o da China, apesar de ter um PIB per capita aproximadamente 50% maior. Enquanto isso, os países africanos e do Oriente Médio ficam muito atrás em termos de consumo per capita, embora alguns países da região sejam exceções significativas com PIB robusto e bom consumo de medicamentos.

Área Terapêutica: Fatores que Impulsionam o Uso de Medicamentos

Em todas as áreas terapêuticas, o relatório revela que o uso de medicamentos tem aumentado desde 2019. No entanto, imunologia, endocrinologia e oncologia superaram o crescimento médio global de 15% nos últimos cinco anos, impulsionadas principalmente por um número substancial de novos produtos e maior acesso em todas as regiões.

A imunologia, por exemplo, teve acesso expandido a uma variedade de terapias biológicas e de pequenas moléculas, mas, como se tratam de terapias especializadas, o acesso é frequentemente limitado em países de baixa renda. A endocrinologia, como um grupo de terapias reguladoras de hormônios, também cresceu duas vezes mais rápido que a média global, principalmente devido a um aumento de 30% no volume de medicamentos para diabetes nos últimos cinco anos. A oncologia, área terapêutica com maior gasto, registrou um aumento de 17% no volume nos últimos cinco anos, com média de 3,4% ao ano, superando o crescimento populacional e indicando taxas e durações crescentes de tratamento oncológico (o número global de dias de terapia oncológica aumentou 3% ao ano desde 2019).

Outra descoberta importante do relatório é que o uso de antibióticos foi significativamente impactado pela pandemia, mas aumentou 6% em 2024 em comparação com os níveis pré-pandemia. "Os antibióticos são um recurso fundamental para a saúde, cujo uso representa um desafio para as partes interessadas. Maior acesso a esses medicamentos é sinal de um sistema de saúde bem administrado, enquanto seu uso excessivo sugere gestão inadequada e aumenta o risco de resistência antimicrobiana", argumenta a consultoria no relatório.

Segundo o relatório, 394 medicamentos foram lançados em todo o mundo nos últimos cinco anos.

Além disso, é evidente que muitos países estão vacinando em taxas inferiores à tendência pré-pandemia, deixando milhões de pessoas menos protegidas contra doenças evitáveis. Além disso, o acesso dos pacientes a medicamentos biológicos em países em desenvolvimento aumentou, e seu uso agora representa 60% do uso em países desenvolvidos.

Gastos e Crescimento por Regiões e Países-Chave

Em relação às perspectivas econômicas, o mercado farmacêutico global, com base nos níveis de preços de fatura, deverá crescer a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 5 a 8% até 2029, atingindo aproximadamente US$ 2,4 trilhões. Essa tendência de alta continuará sendo impulsionada por marcas novas e existentes nos principais países desenvolvidos e será compensada pela perda de US$ 220 bilhões em exclusividade de marca ao longo de cinco anos.

Da mesma forma, um crescimento mais forte nos gastos globais foi observado em regiões-chave após a pandemia, particularmente nos Estados Unidos e Canadá em 2023, seguido por uma desaceleração: o mercado dos EUA, com base no preço líquido, deverá crescer cerca de 3 a 6% nos próximos cinco anos, em comparação com uma CAGR de 6,8% nos cinco anos anteriores. O impacto da perda de exclusividade aumentará para US$ 182 bilhões em cinco anos, com quase US$ 150 bilhões provenientes de pequenas moléculas.

Na Europa, espera-se que os gastos aumentem em US$ 85 bilhões até 2029, impulsionados tanto por marcas novas quanto pelas já existentes, enquanto o impacto da perda de exclusividade chegará a US$ 25 bilhões, principalmente devido às pequenas moléculas. No Japão, o cenário provavelmente permanecerá inalterado, já que a inovação é compensada pela transição para reduções anuais de preços. A China, por sua vez, se recuperará lentamente da crise do coronavírus, principalmente graças a novos medicamentos inovadores. Por fim, as vendas na Argentina e um mercado brasileiro forte darão um bom impulso ao mercado na América Latina.