- 08 de abril de 2026
Abbott Brasil recebe aprovação regulatória de serplulimabe para o tratamento de câncer de pulmão de pequenas células
A Abbott anuncia a aprovação regulatória da Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para serplulimabe no Brasil, como
terapia de primeira linha para pacientes adultos com câncer de pulmão de
pequenas células com doença extensa (CPPC-DE). Serplulimabe, é um anticorpo
monoclonal (mAb) anti-PD-1, uma classe de imunoterapia desenvolvida para
permitir que o sistema imunológico reconheça, ataque e elimine as células
cancerígenas.
Sua aprovação representa um importante marco
científico para a oncologia no Brasil, oferecendo nova opção de primeira linha
e de tratamento para uma doença extremamente agressiva. A aprovação também
marca a ampliação do portfólio oncológico da Abbott, expandindo o acesso a
tratamentos inovadores para pacientes em mercados emergentes, como o Brasil.
Segundo estatísticas do Instituto Nacional do Câncer
(INCA), o câncer de pulmão é o terceiro mais comum entre homens no Brasil, com
18 mil casos anuais, e o quarto entre mulheres, com 14 mil casos. Em termos de
mortalidade, é a primeira causa entre os homens e a segunda entre as mulheres
no mundo.
Cerca de 15% das pessoas diagnosticadas com câncer de
pulmão apresentam o tipo de pequenas células (CPPC), que tende a crescer e se
disseminar mais rapidamente.⁴ Além disso, cerca de 60 a 85% das pessoas com
CPPC são diagnosticadas com doença extensa (CPPC-DE), a forma mais agressiva do
câncer de pulmão, associada a desfechos desfavoráveis. No caso do Brasil, dados
do Oncoguia mostram que 91% dos diagnósticos realizados pelo Sistema Único de
Saúde (SUS) ocorrem em estágios avançados.
Sem tratamento, pacientes diagnosticados com CPPC-DE
geralmente sobrevivem apenas de dois a quatro meses.6,7 Por isso, desde a
década de 1990, o tratamento padrão de primeira linha para CPPC-DE tem sido a
quimioterapia, que melhora a sobrevida global mediana (SG) para cerca de 10
meses.
Com a introdução da imunoterapia, que ajuda o sistema
imunológico a reconhecer e eliminar as células cancerígenas, combinada à
quimioterapia, foi demonstrada a sobrevida superior para pacientes em
comparação à quimioterapia isolada, embora a melhoria média na sobrevida global
seja de apenas dois a três meses. No estudo ASTRUM-005, serplulimabe combinado
com quimioterapia, demonstrou uma redução de 54% no risco de progressão da
doença, bem como um ganho de 4,7 meses na sobrevida mediana em relação ao grupo
tratado exclusivamente com quimioterapia.
Essa aprovação no Brasil baseia-se nos resultados do
estudo ASTRUM-005, que avaliou o regime de serplulimabe combinado à
quimioterapia padrão (carboplatina e etoposídeo), em comparação com a
quimioterapia isolada em pacientes com CPPC-DE.9 O estudo demonstrou benefício
consistente em diferentes desfechos de eficácia. Em termos de sobrevida global
em longo prazo, 21,9% dos pacientes com CPPC-DE tratados com serplulimabe
associado à quimioterapia estavam vivos após quatro anos, em comparação com
7,2% daqueles que receberam apenas quimioterapia.