- 20 de fevereiro de 2026
Três em cada quatro consumidores na América Latina optariam por comprar medicamentos genéricos devido ao alto preço dos medicamentos de marca
A indústria farmacêutica na América Latina está
passando por uma transformação marcada por consumidores mais sensíveis a
preços, maior confiança em medicamentos genéricos e novas demandas em relação à
disponibilidade e aos serviços. Essa constatação consta em uma pesquisa da McKinsey & Company,
que consultou 2.500 pessoas em 14 países da região para entender as mudanças
nos hábitos de compra e no acesso à saúde.
Os genéricos ganham terreno e confiança
Uma das descobertas mais relevantes é o crescente
interesse em medicamentos genéricos. 75% dos entrevistados afirmaram estar
dispostos a mudar para versões genéricas, motivados pelo preço mais baixo e
pela maior conscientização sobre sua eficácia.
Atualmente, os genéricos de baixo custo representam
48% do mercado de medicamentos prescritos e 45% dos pedidos online, confirmando
uma mudança estrutural no consumo. A disponibilidade de estoque é outro fator
crítico: cerca de 40% daqueles que não conseguiram obter seus medicamentos
prescritos citaram a falta de estoque como o principal motivo. Em uma região
altamente dependente de importações, as interrupções na cadeia de suprimentos
impactam diretamente a fidelidade do cliente.
O ambiente econômico também está mudando a fidelidade
às farmácias. Quase 40% dos consumidores trocaram de farmácia nos últimos cinco
anos, em parte devido ao custo dos medicamentos. Ao mesmo tempo, 75% preferem a
farmácia mais próxima e 69% conseguem chegar a ela em menos de 10 minutos,
reforçando a importância da localização e do conhecimento local.
Diante desse cenário, o relatório sugere que as
pequenas farmácias podem fortalecer parcerias com distribuidores e fabricantes
de genéricos, otimizar o estoque com ferramentas digitais e incorporar serviços
básicos sem agendamento — como vacinação, gerenciamento de doenças crônicas ou
consultas de telemedicina — para expandir sua proposta de valor. Em um contexto
em que 62% daqueles que adiaram o atendimento médico o fizeram devido a
barreiras de acesso, as farmácias estão emergindo como um ator fundamental para
preencher lacunas e responder a uma demanda cada vez mais focada em preço,
proximidade e disponibilidade.